A Amazônia brasileira sempre despertou a atenção do mundo que a vê como um reduto da vida selvagem do planeta, onde inescrupulosos avançam sem piedade, derrubando árvores, caçando animais exóticos, extraindo do seu interior toda a riqueza que a natureza exibe.
Os avanços das madeireiras extraindo as mais belas espécies da flora do planeta, para vender a preço de ouro aos mercados ávidos pela madeira amazônica, a substituição da floresta pelas pastagens, exigindo grandes extensões para abrigar os rebanhos invasores, são fatores que animam os debates e acirram os ânimos quando se fala da Amazônia. O combustível do debate é a integração desta região à fronteira agrícola do Brasil e de alguns países vizinhos, enquanto questiona-se se é possível manter o crescimento do agronegócio brasileiro dentro das fronteiras já abertas, sem que seja preciso tocar nesta rica reserva florestal.
Quando se coloca a posição “romântica” da preservação total, também é colocado em xeque a soberania do território. Se existe alguma dúvida sobre esta questão, basta verificar a posição atual dos países ricos sobre as grandes reservas de petróleo do mundo. Hoje a ‘ bola da vez’ é o petróleo que ainda move a matriz energética da maioria dos países desenvolvidos do planeta. Os motivos do controle de estoques das reservas petrolíferas do mundo passam pelo combate ao terrorismo internacional, derrubada de governos totalitários e expansão da democracia com neoliberalismo nos países islâmicos que dominam grande parte destas reservas.
A presença do homem na região amazônica já é um fator de risco na questão ambiental, mas como tornar isto menos grave que o fato em si. Se o objetivo for isolar a Amazônia de alguma forma de exploração econômica, dá-se um passo atrás no desenvolvimento sócio-econômico desta região, colocando cidadãos que vivem à margem do desenvolvimento e na subsistência, através da coleta dos recursos da floresta ou da pesca, à uma condição de cidadão de segunda categoria. Todos almejam o desenvolvimento e uma boa qualidade de vida. A questão é: - Como integrar a Amazônia ao desenvolvimento humano sem destruí-la?
A avaliação de que os derivativos ambientais são uma maneira confiável e factível de defender a Amazônia passa pelo componente econômico. É uma variável capitalista para uma questão ambiental. Quando a exploração predatória se torna menos atraente pelos ganhos “fáceis” auferidos até então e, é substituída por oportunidades de mercado, com planos bem elaborados de manejo florestal sustentado de baixo impacto, que além da commodity madeira, agregue ganhos significativos com certificação (selo verde), ISO 14.000, projetos de MDL e certificados de carbono, royaltties de subprodutos da atividade florestal ou biodiversidade, além de atividades secundárias como o ecoturismo, caça e pesca legal, estaremos tornando o legal, o ambientalmente correto e o socialmente justo, tão competitivos que as atividades do agronegócio que envolva derivativos ambientais serão as mais promissoras na exploração da Amazônia, tornando “nossas vantagens comparativas em reais vantagens competitivas” conforme preconizou FUJIHARA, M.A. (2002).
Os derivativos ambientais agregando valores aos produtos florestais estarão trazendo o tão sonhado desenvolvimento sustentável, juntamente com as práticas de gestão ambiental barrando a expansão ilegal da fronteira agrícola através de reais oportunidades de mercado.
Quando o país tratar a região amazônica como a promissora terra da maior biodiversidade do planeta, aproveitando-se das oportunidades de mercado para agregar valores à sua bioeconomia, substituindo o desrespeito ambiental, a omissão ao combate da exploração predatória e o subdesenvolvimento explícito de sua população, pela utilização racional dos recursos naturais, aliada às práticas de desenvolvimento sustentável em prol do próprio crescimento, não haverá motivos que sustentem qualquer argumento de internacionalização.
A defesa da Amazônia passa necessariamente pelo uso de seus recursos naturais, integrando-a ao desenvolvimento do país com sustentabilidade, permitindo o seu crescimento econômico, sem que para isto seja necessário destruí-la, ou isolá-la completamente, expondo-a à cobiça e à insensatez da guerra pelos recursos naturais que vem se desenhando na geopolítica da economia mundial.
José Mauricio de Souza Pádua, é engenheiro agrícola pela UNICAMP e especialista em gestão ambiental pela UNIMINAS.